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Os homens também adoecem

Os homens também adoecem

Os homens também correm o risco de adoecer, sofrer e morrer precocemente, apesar de, nem sempre, o reconhecerem enquanto é tempo. Talvez por isso, adoecem mais, sofrem mais e morrem mais cedo do que as mulheres

Nascem mais homens do que mulheres, mas, a partir dos 30 anos de idade, já há mais mulheres do que homens. Na população acima dos 75 anos, o rácio é de 180 mulheres por cada 100 homens. A verdade é que, em média, elas vivem mais seis ou sete anos do que eles.

Os homens são mais vítimas de acidentes de trabalho e de viação e suicidam-se cinco vezes mais. As mulheres cuidam mais da sua saúde do que os homens – vão mais vezes a consultas médicas, queixam-se mais dos problemas de saúde, fazem mais exames, tomam mais medicamentos… Em suma, estão mais atentas para a saúde e previnem mais as doenças ou a sua evolução. Além de morrerem mais tarde, as mulheres são menos internadas face aos homens, que lideram as taxas de hospitalização.

Um recente estudo1 realizado em Portugal confirma a importância das campanhas de sensibilização e da prevenção primária em saúde, ao detectar uma diferença enorme na percepção pública sobre a frequência de dois cancros com taxas de prevalência e mortalidade muito próximaso da mama e o da próstata. O objetivo deste estudo foi descrever o conhecimento sobre o cancro em Portugal, incluindo a percepção do risco, a consciencialização sobre as causas e os comportamentos preventivos, tendo entrevistado presencialmente mais de 1 600 pessoas.

Quase metade dos entrevistados identificou o cancro da mama como o mais frequente em Portugal que, na realidade, é o mais frequente apenas nas mulheres (nos homens, é o da próstata). Em termos globais, o cancro mais frequente no nosso país é o colo-rectal. Estes dados demonstram, porventura, que as muitas campanhas de sensibilização para o cancro da mama, que têm sido levadas a cabo, fizeram aumentar o conhecimento sobre esta neoplasia. Outro dado interessante deste estudo é que os homens forneceram estimativas mais baixas sobre o risco do cancro ao longo da vida, o que comprova a sua falta de sensibilização para com as consequências das doenças, mesmo do cancro.

 

«Novembro – mês de alerta para a saúde do homem»

Homens e mulheres são diferentes, sê-lo-ão sempre… Mas há aspectos que não deveriam ser (tão) diferentes, como a percepção sobre a importância de cuidar da saúde. É por isso que a Associação Portuguesa de Urologia (APU) apostou, na acção de sensibilização «Novembro – mês de alerta para a saúde do homem». Durante este mês, os homens foram convocados a deixar crescer o bigode, especificidade inerentemente masculina – e, diga-se, das poucas manifestações diferenciadoras de género (ainda) social e politicamente aceites. Além disso, aos homens e mulheres, pediu-se que usassem um pin, em forma de bigode azul durante o mês de Novembro e, às mulheres, que se façam fotografar com batom azul.

Fizemos isso especificamente no mês que agora termina, mas o objetivo durante todos os outros meses continua a ser o mesmo: chamar a atenção, perguntar “porquê” e a simples resposta a essa pergunta já será um grande contributo para incrementar a sensibilização para as doenças que afetam os homens.

Apesar de o cancro da próstata ser, porventura, a patologia mais facilmente identificada como a “doença dos homens”, esta campanha teve propósitos mais abrangentes. Pretendeu também alertar para patologias como o cancro do testículo ou do pénis, as várias disfunções sexuais masculinas e a depressão no homem, entre muitas outras. Estimulando hábitos de vida saudáveis, promovendo a saúde mental e desmistificando temas “tabu”, o contributo de todos os profissionais de saúde – homens e mulheres – foi essencial. Tal como o contributo de todos os que se sintam tocados por esta causa.

Arnaldo Figueiredo
(Médico, Urologista)

1)     Health-related knowledge of primary prevention of cancer in Portugal. Ana Rute Costa, Susana Silva, Pedro Moura-Ferreira, Manuel Villaverde-Cabral, Osvaldo Santos, Isabel do Carmo, Henrique Barros e Nuno Lunet. Europen Journal of Cancer Prevention. 2016, 25:50-53

(Nota: Texto escrito em desacordo com o Acordo Ortográfico)

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